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Rui Knopfli

Rui Knopfli, batizado Rui Manuel Correia Knopfli, foi um poeta, diplomata e crítico literário e de cinema português.

Rui Knopfli, poeta Moçambicano / Português

 

Biografia

Rui Knopfli nasceu em Inhambane, Moçambique, em 10 de agosto de 1932. Viveu em Moçambique até 1973, fixando-se depois em Londres.

Foi tradutor de T.S.Eliot. Dirigiu, juntamente com João Grabato Dias, a revista literária Caliban (Lourenço Marques, 1971, encerrada pela PIDE em 1972) e o suplemento literário do Tempo (Lourenço Marques, 1973).

Publicou uma obra que cruza as tradições literárias portuguesa e anglo-americana. Integrou o grupo de intelectuais moçambicanos que se opôs ao regime colonial. Foi diretor do vespertino A Tribuna (1974-1975). 

Deixou Moçambique em março de 1975. A nacionalidade portuguesa não impediu que a sua alma fosse assumidamente africana, mas a desilusão pelos acontecimentos políticos está expressa na poesia que publicou após a saída da sua terra. 

A 2 de fevereiro de 1980, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. A 27 de abril de 1993, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Mérito.

Morte

Rui Knopfli morreu no dia de Natal, 25 de dezembro, do ano de 1997. está sepultado em Vila Viçosa.


A obra de Rui Knopfli

Na evolução da sua obra poética nota-se , frequentemente, a intertextualidade com a tradução camoniana e a renovação da mitologia das descobertas, como por exemplo em A Ilha de Próspero (1972): «porto de olvido na rota perdida das Índias / (que) volverá (...) assim um ressentimento da areia / soluço de pedra ao sabor da monção.» Eugénio Lisboa considera a arte poética de Rui Knopfli baseada num tratamento das palavras que «tenta fazer destas um uso simultaneamente amoroso e discreto.»

  • O País dos Outros, ed. do autor, Lourenço Marques, 1959.
  • «As actividades editoriais de Moçambique e a Associação», in A Voz de Moçambique, Lourenço Marques, fevereiro de 1960.
  • «Poemas junto à fronteira» e «Clima», idem, março de 1960.
  • «Clima instável (o poeta Orlando Mendes e a crítica)», idem, maio de 1960.
  • «Breve comentário em torno da criação artística», idem, 1 de setembro de 1960.
    Reino Submarino, Minerva, Lourenço Marques, 1962.
  • «Hiroshima, esquecimento e Anastácio», A Voz de Moçambique, 30 de junho de 1962.
  • «O Brava tas contra-ataca», idem, 15 de setembro de 1962.
  • «Os inquisidores e a minha crítica», idem, 20 de abril de 1963.
  • «Ad Lib: o copo de água das tempestades; o intelectual em situação; maneiras de ver», idem, 11 de maio de 1963.
  • «Considerações sobre a crítica dos Poetas de Moçambique (resposta a Alfredo Margarido)», idem, 15 de junho de 1963, pp. 6-8; 22 de junho de 1963 (cont.); 29 de junho de 1963.
  • «Editor moçambicano para autores moçambicanos», idem, 27 de julho de 1963.
  • «Outra vez? (ainda o dilema [diletante?] Alfredo Margarido)», in Tribuna, 279, 2 de agosto de 1963; 3 de agosto de 1963.
  • «Ad Lib: a parábola do menino só», in A Voz de Moçambique, Lourenço Marques, 10 de agosto de 1963.
  • «Uma nova teoria racista da poesia (poetas em escala júnior)», idem, 14 de setembro de 1963.
  • «Prólogo em forma de carta a um balanço necessário», idem, 11 de janeiro de 1964.
  • «Um balanço necessário 1: posição autocrítica; sumarizando uma atitude», idem, 25 de janeiro de 1964.
  • «Um balanço necessário 2: parêntese para uma digressão elucidativa; as várias faces do dogmatismo; sectarismo significa reacção», idem, 1 de fevereiro de 1964.
  • «Ad Lib: Fernando Pessoa não era de companhia; ainda a companhia de Fernando Pessoa», idem, 14 de março de 1964.
  • «Nós Matámos o Cão Tinhoso, um livro de Luís Bernardo Honwana editado em Lourenço Marques», idem, 21 de março de 1964.
  • «Ad Lib: castanhas piladas (crónica um pouco fantástica)», idem, 23 de maio de 1964.
  • «Ad Lib: sobre o conceito de modernidade», idem, 2 de junho de 1964.
  • «Ad Lib: a incompatibilidade Sartre-De Sica (a propósito do filme O Sequestrado)», idem, 20 de junho de 1964.
  • «Ad Lib: o artesanato da poesia»; «Encontro internacional de poetas no Festival de Berlim», idem, 22 de novembro de 1964.
  • «Ad Lib: a urna ressonante», idem, 29 de novembro de 1964.
  • Máquina de Areia, 1ª ed., Notícias da Beira, Beira, 1964.
  • «Ad Lib: os bigodes de Emiliano e um lobo não menos significativo», in A Voz de Moçambique, Lourenço Marques, 2 de novembro de 1966.
  • Mangas Verdes com Sal, 2ª ed, (precedido por «Uma nota sumária a propósito da poesia de Moçambique», por Eugénio Lisboa), Minerva Central, Lourenço Marques, 1972.
  • A Ilha de Próspero: Roteiro Poético da Ilha de Moçambique, 2ª ed. (prefácio de Alexandre Lobato), Edições 70, Lisboa, 1989.
  • O Escriba Acocorado (posfácio «A Voz Ciciada: ensaio de leitura da poesia de Rui Knopfli», por Eugénio Lisboa), Moraes, Lisboa, 1978.
  • Memória Consentida: 20 Anos de Poesia, 1959-1979 (prefácio de Luís de Sousa Rebelo), Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 1982.
  • O Corpo de Atena, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 1986.
  • "Carta para Moçambique / O denominador comum" / Rui Knopfli. In: Revista Colóquio/Letras. Cartas, n.º 110/111, Jul. 1989, p. 99-107.
  • «Rui Knopfli: longe, em sítio nenhum» (entrevista por Francisco José Viegas), in Ler, nº 34, Círculo de Leitores, Lisboa, Primavera de 1996.
  • O Monhé das Cobras, ed. Caminho, Lisboa, 1997.
  • Obra Poética, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 2003.

 

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