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Júlio Lourenço Pinto

 

Júlio Lourenço Pinto (1842, Porto — 1907, Porto)

Júlio Lourenço Pinto foi um escritor português, nascido em 1842 no Porto, tendo falecido em 1907, com 65 anos.

Júlio Lourenço Pinto


Bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo seguido a carreira administrativa, Lourenço Pinto exerceu o cargo de governador civil em várias cidades do País. Foi também presidente da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto.

Contista e romancista, notabilizou-se sobretudo como teórico do realismo-naturalismo, conjugando as duas designações, não as distinguindo uma da outra («rejeitamos a subtileza da distinção», escreve em Estética Naturalista).

Colaborador assíduo da Revista de Estudos Livres, um dos principais periódicos de expansão do positivismo, dirigido por Teófilo Braga e Teixeira Bastos, aí expõe desde 1883 os fundamentos teóricos da «escola moderna», baseados sobretudo nos pressupostos de Zola relativos à hereditariedade e à infalibilidade da ciência e do progresso. Esses textos foram recolhidos na coletânea intitulada Estética Naturalista (1885). No prefácio a essa obra fulcral, Lourenço Pinto precisa a sua ideia de realismo-naturalismo, proclamando a necessidade de «fixar as leis, os princípios fundamentais que pelo carácter de estabilidade e generalidade se anteponham às mutações do gosto (...): o que precisar é (...) determinar o modo como a arte se concilia com a ciência, ficando sempre independente.»

Apesar desta proclamação teórica, Lourenço Pinto sempre subordinou a sua própria arte às teorias científicas. Assim, desde Margarida (1879), uma história de adultério que «romanticamente» opõe o «anjo do lar» à «mulher fatal» fazia preceder as suas obras de ficção de elucubrações teóricas que asfixiavam a livre e original criação de personagens e da linguagem. Exemplo particularmente flagrante, entre outros, é o prefácio ao romance publicado em 1882, O Senhor Deputado (Cenas da Vida Contemporânea), no qual considera que o «romance moderno deve ser uma obra de boa disciplina e educação mental, substituindo-se salutarmente à ação desorganizadora e dissolvente da novela sentimental.»

 

Obras publicadas de Lourenço Pinto

  • 1877 - Do Realismo na Arte, crítica;
  • 1879 - Margarida, romance;
  • 1880 - Vida Atribulada, romance;
  • 1882 - O Senhor Deputado, romance;
  • 1882 - Esboços do Natural, contos;
  • 1883-1884 - Ensaios in Letras e Artes;
  • 1883 - O Homem Indispensável, romance;
  • 1885 - Estética naturalista, crítica, (Porto, Livraria Portuense);
  • 1889 - O Bastardo, romance, Typographia do Commercio do Porto;
  • 1894 - O Algarve, Notas Impressionistas (Porto, Livraria Portuense).

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