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Augusto Casimiro

Augusto Casimiro (11/6/1889, Amarante -- 23/9/1967, Lisboa) foi um  poeta, romancista, ensaísta, autor de livros de memórias e também tradutor, é um dos nomes da chamada Geração da República.

 

Augusto Casimiro

Muitas vezes associado a Jaime Cortesão (a quem o uniram não só laços familiares como idênticos objetivos doutrinários) e a nomes da poesia pós-simbolista, na qual também se integra, surge ainda ao lado de prosadores pós-naturalistas como Raul Brandão, seu amigo e confidente.

Oficial do Exército, demitido por motivos políticos em 1931 e reintegrado em 1937, Augusto Casimiro fez a Campanha da Flandres nos anos de 1917 e 1918. Pertence ao grupo de intelectuais que irão testemunhar a participação de Portugal na Primeira Grande Guerra, realizando, como memorialista, toda uma literatura inspirada pela Guerra, da qual sobressaem as facetas épica e dramática e títulos como Nas Trincheiras da Flandres, 1919, Sidónio Pais (Algumas Notas sobre a Intervenção de Portugal na Guerra), 1919, e Calvários da Flandres, 1920. É interessante verificar como o tema da Guerra dá origem à publicação, pela «Renascença Portuguesa», de vários livros cujos autores, como indica Óscar Lopes, «estão entre os colaboradores do número especial d'A Águia subordinada ao tema «Portugal e a Guerra». Aliás, o percurso literário de Augusto Casimiro deve ser observado não só através dos títulos da sua obra, mas também pela sua participação nas revistas da época. É colaborador, desde o primeiro número, d'A Águia — órgão da «Renascença Portuguesa» — a partir de 1912 e de um «Quinzenário de inquérito à vida nacional» — Vida Portuguesa —boletim editado por aquela e sob a orientação de Jaime Cortesão.

Pertencendo, no entanto, a um grupo de escritores cujas preocupações doutrinárias não se enquadravam, a partir de certa altura, nos propósitos orientadores das revistas atrás citadas, Augusto Casimiro assinará com outros a direção de uma nova revista — Seara Nova — cujo primeiro número sai a 15 de outubro de 1921 e que desenvolverá uma forte ação sob o ponto de vista pedagógico e cultural.

De 1961 a 1967, ano da sua morte, a direção desta revista será assegurada por Augusto Casimiro.

 

Outras obras de Augusto Casimiro

Para além das memórias da Guerra e da colaboração em revistas, a obra deste autor inclui o romance A Vida Continua, 1942, a biografia Dona Catarina de Bragança, 1956, a tradução (feita a partir do castelhano) de uma biografia incompleta de Teodósio II, duque de Bragança, redigida por D. Francisco Manuel de Melo, e para a qual Augusto Casimiro também assina um prefácio, bem como diversos livros de poesia, nos quais sobressai o poeta neo-romântico, o saudosista, o idealista, onde se exaltam os sentimentos simples, o amor à Terra, uma espiritualidade e religiosidade, os valores da Tradição, e onde também se faz a apologia do expansionismo. Percorre vários temas como o amor, o sentimento patriótico, o mar, fundindo, por vezes, estes últimos, corno acontece em Portugal Atlântico — Poemas da África e do Mar (que foi prémio Camilo Pessanha em 1954) e onde, citando um dos seus poemas, se afirma fiel a um «coração de poeta e marinheiro».

 

Lista de obras de Augusto Casimiro

  • Para a Vida, 1906
  • A Vitória do Homem, 1910
  • A Tentação do Mar, 1911
  • A Evocação da Vida, 1912
  • O Elogio da Primavera, 1912
  • A Primeira Nau, 1912
  • À Catalunha, 1914
  • Primavera de Deus, 1915
  • A Hora de Nun'Álvares – versos , 1916
  • Nas trincheiras: fortificação e combate (coautoria com Mouzinho de Albuquerque), 1917
  • Nas Trincheiras da Flandres (com desenhos de Diogo de Macedo e Cristiano Cruz), 1918
  • Sidónio Pais": algumas notas sobre a intervenção de Portugal na Grande Guerra, 1919
  • Calvário da Flandres: 1918, 1920
  • Oração Lusíada
  • Portugal e o mundo: um sentido português, 1921
  • O Livro das Bem Amadas, 1921
  • O meu amor: onde está o meu amor?, 1921
  • O Livro dos Cavaleiros, 1922
  • Naulila: 1914, 1922
  • A Educação Popular e a Poesia, 1922
  • África Nostra, 1923
  • Nova Largada – Romance de África, 1929
  • Ilhas Crioulas, 1935
  • A Alma Africana, 1936
  • Paisagens de África, 1936
  • Cartilha Colonial, 1937
  • Momento na Eternidade, 1940
  • Portugal Crioulo, 1940
  • A Vida Continua, 1942
  • O Segredo de Potsdam, 1945
  • Assistência indígena: política de cooperação, 1945
  • Lisboa Mourisca: 1147-1947, 1947
  • Conquista da Terra: Hidráulica Agrícola Nacional
  • Nun'Álvares e o seu Monumento, Dois artigos e uma carta a D. Luiz Vaz de Almada, 1949[10]
  • Portugal na História, 1950
  • S. Francisco Xavier e os Portugueses, 1954
  • Portugal Atlântico – Poemas da África e do Mar, 1955
  • Dona Catarina de Bragança: Rainha de Inglaterra, filha de Portugal, 1956
  • Angola e o Futuro: alguns problemas fundamentais
  • Obra Poética de Augusto Casimiro (prefácio de José Carlos Seara Pereira), Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa, 2001 (ISBN 972-27-1075-3).

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